domingo, 15 de fevereiro de 2009

Eutanásia: ainda resta esperança!

Acidentes automobilísticos acontecem quase que diariamente. Alguns mais graves em relação a outros. As vítimas, geralmente sofrem alguns danos, mas, a maioria se recupera com o passar do tempo. A italiana Eluana Englaro sofreu um acidente há 17 anos atrás, mas não teve a sorte de se recuperar. Desde então, a mulher estava em coma irreversível, como um verdadeiro vegetal. À medida que o tempo passava, o sofrimento da família de Eluana aumentava. Qualquer esperança de cura era vista como mera utopia. Em uma atitude completamente cética, o pai de Eluana decidiu propor ao governo italiano a possibilidade de desligar os aparelhos que mantinham a filha viva. Mesmo sendo inconstitucional, a solicitação foi atendida, e os aparelhos que alimentavam a mulher foram desconectados. Na semana passada, a morte colocou fim ao sofrimento de 17 anos da família Englaro. 

O fato desencadeou em todo o mundo uma série de discussões acerca de uma polêmica temática: a eutanásia. Indiscutivelmente ninguém possui o direito de decidir sobre a vida do outro. Provações fazem parte do cotidiano de qualquer ser humano e comprovam se somos capazes de lidar com adversidades sem perder a fé. É óbvio que 17 anos de sofrimento corrói esperanças de qualquer família. Seria desumano julgar a atitude do pai de Eluana; é compreensível o drama vivido por este homem ao ver a filha em tal situação. O que deve ser levado em conta são os motivos que induzem as pessoas a perderem a fé de que dramas como esses podem ser revertidos. 

A medicina italiana, avançadíssima por sinal, declarou que o caso Eluana Englaro não teria solução. Isso destruiu qualquer convicção positiva que o pai ainda poderia ter. Sua fé foi substituída por desesperança e escuridão. Não por acaso decidiu pela maneira mais fácil de amenizar a dor: a morte da filha. 

A sociedade contemporânea é dominada por mensagens negativas e desestimulantes. Além disso, injustiças predominam; a má distribuição de renda faz com que uma parcela seja beneficiada em todos os sentidos, enquanto outra parcela é jogada às traças; humilhações e preconceitos ao que se contrapõe aos ideais pré-estabelecidos como corretos também estão presentes. Enfim, tudo isso pode ser visto como formas de eutanásia. 

A valorização da vida, desde sua concepção até seu declínio natural, já não é pregada pela sociedade contemporânea. A ideia é vista como intrinsecamente cristã e piegas. Mas se for para estimular a vida, tais denominações devem ser vistas como títulos honrosos. A propagação de mensagens esperançosas e políticas sociais que prezem o bem-estar coletivo são as únicas maneiras de estimular a valorização da vida. Enquanto estas atitudes não vingarem, continuaremos a presenciar diversos tipos de eutanásia que colocam fim, antes do tempo, à vida de diversos seres humanos, o que é um lamentável desperdício...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Duas Décadas...

Jamais gostei de falar sobre mim. Autobiografia não é minha especialidade. No entanto, hoje sou obrigado a abrir uma exceção, afinal, não é sempre que se comemora 20 anos. Ah... Isso mesmo... 20 anos! Como passou rápido! Parece que o tempo voou e sequer notei! Pois bem, é embaraçoso, mas vamos falar de mim...

Fazer um balanço geral dessas duas décadas é tarefa árdua. Foram muitos os momentos bons que vivenciei, e, é claro que os ruins também tiveram espaço garantido nos meus dias. Sou grato a Deus por tudo! Viver bons momentos é gratificante, mas os maus também são necessários e valem como lições; a vida é uma verdadeira pedagogia... Como é difícil falar de mim, passo a falar de um gordinho que ficou lá atrás no tempo...

Olhando para trás, ainda vejo aquele gordinho de cara fechada, meio depressivo. Confesso que sinto falta dele. Ah se eu pudesse encontrá-lo, o ensinaria a viver melhor, ter mais autoestima; mostraria a ele a arte de ver nas pequenas coisas, a felicidade suprema; ensinaria o gordinho a ignorar as adversidades, considerando-as grandes ensinamentos. Gostaria de mostrar àquele garoto que tudo na vida possui uma explicação. E que o valor de algumas explicações está no fato de serem inexplicáveis... Enfim, transmitiria a ele a pedagogia da vida, que se resume na arte de valorizar a fé, a arte dos verdadeiros sábios.

O garotinho sempre foi diferente. A começar pelo nome, bastante incomum. O interesse por algumas coisas que os outros veneravam, nunca o dominou. Era meio excluído por causa disso... Sempre foi meio “chorão”. Seus interesses eram livros, TV e cinema. Nunca foi de falar muito. Preferia se expressar através da escrita. Ah caros amigos... A escrita! A maior paixão de nosso garoto. Era aí que ele se revelava! No entanto, com o passar do tempo, deu a volta por cima e vestiu a máscara de “ator social” por simples necessidade de, digamos, “incluir-se socialmente”. A taxação de antissocial sempre peregrinou ao lado de nosso amigo e isso não era bom. Felizmente tal denominação já não predomina.

Hoje o garoto cresceu, e em consequência disso, adquiriu maturidade! A identidade se formou... Minto... Está se formando! Espero que jamais se complete a formação de tal identidade! Prefiro que ela se aperfeiçoe a cada milésimo!

É esse pensamento que gostaria de passar ao garoto que ficou lá atrás! O ser humano deve estar em sintonia com Deus, lutando a cada instante para formar sua identidade. Deve ter consciência de que somos seres imperfeitos, sedentos por aperfeiçoamento. Cabe a nós adquirirmos discernimento para descobrirmos aonde buscar a fonte da perfeição! Resumindo: a vida é um constante processo de construção!

Bom amigos, aí está. Sinto-me um pouco ridículo falando de mim mesmo. Mas, eu também mereço!

Gostaria de compartilhar com vocês uma música que levo como inspiração para viver! Considero esta canção uma verdadeira oração. O bom artista é aquele que faz uso dos dons que Deus proporcionou para transmitir ao público sábias mensagens! Ao ouvir esta música, é impossível não pensar em Deus. O título já diz tudo: “Tocando em frente”. E a frase: “cada um de nós constrói a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz... De ser feliz!” Não precisa dizer mais nada, não é mesmo?! Confira esta versão, lindamente interpretada pelo grande orientador espiritual, Padre Fábio de Melo:

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Um livro para pessoas especiais


Você já imaginou passar um dia com Deus? Pode parecer uma ideia surreal, absurda ou até mesmo subjetiva, já que nós cristãos acreditamos que Ele está presente em todos os momentos de nossa existência. Mas, você já imaginou ficar cara a cara com Deus? E mais, já se viu obrigado a encarar seu maior pesadelo a fim de superá-lo?

É esta premissa que permeia o best-seller A Cabana (tradução de Alves Calado; Sextante; 240 páginas; R$ 24,90). De autoria de William P. Young, o livro narra a trajetória do pai de família Mackenzie. Era para se um fim de semana de diversão para Mack e seus filhos, porém, uma tragédia desperta no homem uma Grande Tristeza que o acompanha por toda a vida.

Passado alguns anos após a tragédia, Mack recebe um estranho bilhete em sua caixa de correio. Assinado carinhosamente por Papai, a mensagem o convida a visitar o local onde ocorreu o fato que desencadeou a Grande Tristeza.

Um pouco relutante Mackenzie volta ao local: uma velha e abandonada cabana afastada de toda a civilização moderna. Um lugar onde a solidão e o abatimento enseja qualquer ser humano depressivo a cometer um ato de loucura. Bom, não posso revelar o enredo. O que será que aconteceria com Mack após chegar ao palco de seu mais perturbador pesadelo? Como enfrentaria a Grande Tristeza? Como perdoar alguém que roubou dele seu mais precioso bem? Como Mack poderia recuperar a subjetividade sequestrada? Papai o auxiliaria...

A Cabana é o tipo de bibliografia que induz o leitor a simplesmente pensar sobre o verdadeiro significado da existência. Até que ponto os acontecimentos narrados poderiam ser verdadeiros ou utópicos? Gostaria de compartilhar A Cabana com todos que considero especiais. É um livro capaz de transformar vidas. Como o próprio autor diz: vale como uma oração. A obra se Encontra na lista dos mais vendidos. Não consegui ainda classificá-lo como autoajuda ou ficção, mas creio que tal denominação de gênero depende da visão de cada leitor. Simplesmente leia e reflita sobre sua cabana particular... todos guardamos uma cabana no mais profundo eu...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Pascom: A boa-nova anunciada pela mídia


Os veículos de comunicação de massa são julgados, em sua maioria, como formas de manipulação e propagação de conteúdos negativos. No entanto, são concepções generalizantes motivadas por informações defasadas e pré-estabelecidas. São inúmeros os prodígios que os meios de comunicação acarretam. Tendo em vista esta perspectiva, a paróquia Imaculada Conceição de Birigui passou a utilizar os benefícios de tais veículos para fomentar a integração dos jovens e de toda a sociedade à Igreja.

A recém-criada Pastoral da Comunicação (Pascom) visa estabelecer um diálogo próximo a toda comunidade através do site, pioneiro na diocese, http://www.imaculadabirigui.com.br/. Na home page, é possível buscar horários de missas, mensagens de fé, informações sobre as pastorais e comunidades, informações sobre o santo do dia, dentre outras coisas. Um site que preza a formação catequética, por ser de caráter formativo. Já existe também uma comunidade no Orkut dedicada aos membros da paróquia, tudo para alimentar o desejo dos jovens em fazer parte do reino de Deus, não por obrigação, mas por desejo. Além disso, já existe há algum tempo o informativo O Comunitário, que divulga todos os acontecimentos vivenciados pelas comunidades membros da paróquia.

Evidenciando a inter-relação humana, através de recursos e instrumentos que facilitem o intercâmbio de informações e de manifestações das pessoas no interior da comunidade ou da comunidade para o mundo que a rodeia, os membros da Pascom agem como verdadeiros educadores. E os projetos não se restringem apenas ao site e ao jornal. Ações de inclusão digital já estão na pauta de nossos trabalhos.

É digno de muito esmero a iniciativa da Pascom. Utilizar a comunicação para o bem é a melhor maneira de propagar ações capazes de beneficiar e transformar a vida da sociedade. Inspirados em São Paulo, agimos como verdadeiros anunciadores da boa-nova. Confira os membros da Pastoral da Comunicação da Paróquia Imaculada Conceição de Birigui:

-Lucas
-Rafael
-Lucia
-Juliana
-Marcio
-Luciano
-Diuân (eu)
-Kayo
-Evandro
-César
-Bruno
-Frei Zeca (nosso Pároco)

domingo, 18 de janeiro de 2009

Dica de cinema: "De olhos bem fechados"

Instintos à flor da pele

Profissionais da psicologia afirmam que a subjetividade humana é formada por três instâncias intituladas id, ego e superego. O ego corresponde ao próprio eu, que sofre as ações das demais instâncias. O id relaciona-se aos mais profundos e animalescos instintos; o superego, por sua vez, age de maneira a equilibrar o ego para que não sofra as conseqüências das ações do id. Mas às vezes, é difícil fazer com que os instintos dominados pelo id não sobressaiam às regras morais pré-estabelecidas pelo superego. Talvez seja este o motivo de todo o conflito que permeia um dos filmes mais polêmicos e perturbadores da história do cinema mundial: De olhos bem fechado (Eyes wide shut).

Gravado em 1999, o último filme dirigido pelo mestre Stanley Kubrick (de Laranja Mecânica e O Iluminado) narra os conflitos internos vivenciados pela sociedade americana. A partir do casal Bill Harford (Tom Cruise) e Alice Harford (Nicole Kidman), a antologia explora a deplorável condição do american way of life. Absolutamente todos se deixam levar pelos instintos, que são encobertos pela máscara de atores sociais.

Tudo começa a partir de uma confissão: Alice, sob o efeito de drinks e baseados, revela ao marido que já o traiu em pensamento; ela afirma que o desejo por um homem que a seduziu só não foi consumado devido ao fato de ela ser casada, porém, pensou em abandonar a vida de mãe de família para compensar seus desejos. A confissão desperta em Bill uma sensação de frenesi.

Após a confissão, o telefonema de uma paciente faz com que o Dr. Bill perambule pela conturbada noite das ruas de Nova York. Sempre com a imagem da traição não consumada da mulher dominando seus pensamentos, o homem procura maneiras de se vingar. Porém, todas as tentativas se frustram.

Em um bar, Bill encontra um pianista, amigo de longa data, que fala a ele algo a respeito de uma espécie de sociedade secreta na qual acontecimentos estranhos acontecem. O pianista toca na tal casa todas as noites, porém, sempre com os olhos vendados. Imediatamente Bill se interessa pelo lugar. Para adentrar nas cerimônias da tal sociedade é necessário usar uma máscara e trajes sociais, além de conhecer a senha de acesso ao local. Bill Harford providencia tudo. Indubitavelmente as máscaras servem de pano de fundo para discutir a capacidade cínica do ser humano.

Em uma das cenas mais envolventes, Harford vai até a loja de fantasias para comprar seu traje. No lugar, depara-se com uma situação estranhíssima: a filha do vendedor estava consumando ato sexual com dois homens muito mais velhos! O pai, por sua vez, permitira a situação, é claro, em troca de dinheiro. O olhar de Harford para o ocorrido, uma confluência de horror e desejo, desperta uma sensação de asco no espectador. Talvez aí Stanley Kubrick atingiu uma de suas metas: revelar a decadência da moral humana. Absolutamente nenhuma personagem está livre de problemas psicológicos.

A partir daí o filme traz à tona as peculiaridades das obras comandadas por Kubrick, nas quais as compreensões estão embutidas em simples atitudes. Ao chegar ao local dos encontros da sociedade, Bill depara-se com um ritual belo e ao mesmo tempo perturbador e aterrorizante. Neste momento aspectos como o voyeurismo são escancarados. Em meio à orgia, em momento algum Bill trai a mulher. Ele age apenas como mero espectador. As cenas de sexo são idealizadas com perfeição. A música, o cenário e a coreografia corroboram para a não-vulgarização das cenas. Valem apenas como subterfúgios que desmascaram os mais profundos instintos e fantasias que dominam qualquer ser humano. Característica inerente à Kubrick.

Não demora muito tempo para que Bill seja descoberto pelos membros da seita. A ameaça de que se ele contasse o que viu a alguém sua família pagaria, leva o homem a um estado de alucinação. A partir daí, muito suspense e neurose passam a dominar a sensual trama.

De olhos bem fechados é o tipo de filme que causa mal-estar no espectador devido à intensidade das emoções representadas. Os momentos de silêncio no qual tudo é dito com o olhar, revelam a entrega total das almas dos atores capitaneados por kubrick. A trilha sonora também reforça o frenesi vivido pelas personagens e aumenta o impacto das seqüências. É o típico filme de Stanley Kubrick, capaz de adentrar profundamente na mentalidade humana, demonstrando com requinte o dualismo fantasia/realidade.


Confira um dos momentos mais marcantes do filme. A entrada de Bill Harford (Tom Cruise) no ritual da polêmica seita! Sequência perfeita! Reparem na trilha e na cenografia:



OBS: texto escrito seguindo os padrões da reforma ortográfica.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Sugestão de Leitura!!!

Os Miseráveis: uma história de superação!

Nas férias da faculdade me comprometi a ler um livro chamado Os Miseráveis (Les Miserables). Não sabia absolutamente nada a respeito da obra! Fui atraído pelo título. Sabia somente que o autor, o francês Victor Hugo, era o mesmo de grandes sucessos como O corcunda de Notre Dame e Os trabalhadores do mar.

A princípio, a linguagem densa e arcaica (afinal, foi escrito no século XIX) me fez pensar em abandonar a leitura. No entanto, a história abduziu-me a ponto de despertar a sangria em terminar a leitura para desvendar o desfecho!

A antologia narra a saga de Jean Valjean. O homem condenado a anos de prisão por roubar comida. Cumprida a pena, uma reviravolta acontece na vida de Valjean: ele se torna, não se sabe por qual motivo, um próspero empresário, proprietário de muitos bens. Sempre guiado pelo altruísmo, não media esforços em ajudar quem cruzasse seu caminho. A benevolência e a abnegação eram inerentes a ele.

Em determinado momento, o destino de Valjean cruza-se com o da garotinha Cosette, a cotovia. A menina, de aparência digna de pena, vivia sob os mal-tratos dos Thenárdier. Constantemente espancada e forçada a desempenhar serviços braçais, a pobre menina sonhava em ter uma boneca de pano como a que as filhas do casal Thenárdier possuíam. Não passava de pura utopia. Cosette era espancada pelo simples fato de olhar as meninas brincando com a boneca.

Certa vez, em uma noite escura, Jean Valjean encontra Cosette na rua carregando um pesado balde com água. Ele então a ajuda levar o balde até a estalagem dos Thenárdier. Após muita insistência, Valjean consegue passar a noite no local.

A rica e famigerada poética narrativa usada por Victor Hugo, desperta no leitor uma sensação próxima a hipnose. É impossível parar de ler! Um dos ápices da história se dá quando Valjean presenteia a garota Cosette com a boneca mais cara e cobiçada existente na região. A maneira como a menina reagiu ao ganhar sua primeira boneca é narrada de tal forma que dificilmente algum leitor ficaria indiferente.

O amor paternal aflora no coração de Valjean. A empatia por aquela frágil criatura o envolve profundamente. Eis que ele oferece dinheiro aos Thenárdier para ficar com a garota. A partir daí, uma série de aventuras acontecem. Perseguições, conflitos, amor, ódio, inveja, pilantragem, tudo isso é congregado em Os Miseráveis. Um livro que valoriza a capacidade humana de fazer o bem sem medir esforços, além de realçar aspectos como a cobiça e a ambição. Caberá ao leitor descobrir quem são os verdadeiros miseráveis.

Bons livros são aqueles que acrescentam algo em nossas vidas, o que é o caso de Os Miseráveis. Eu recomendo!

Dica de Leitura!!!

Os Miseráveis: uma história de superação!


Nas férias da faculdade me comprometi a ler um livro chamado Os Miseráveis. Não sabia absolutamente nada a respeito da obra! Fui atraído pelo título. Sabia somente que o autor, o francês Victor Hugo, era o mesmo de grandes sucessos como O corcunda de Notre Dame e Os trabalhadores do mar.

A princípio, a linguagem densa e arcaica (afinal, foi escrito no século XIX) me fez pensar em abandonar a leitura. No entanto, a história abduziu-me a ponto de despertar o desejo de terminar a leitura para desvendar o desfecho!

A antologia narra a saga de Jean Valjean. O homem condenado a anos de prisão por roubar comida. Cumprida a pena, uma reviravolta acontece na vida de Valjean: ele se torna, não se sabe por qual motivo, um próspero empresário, proprietário de muitos bens. Sempre guiado pelo altruísmo, não media esforços em ajudar quem cruzasse seu caminho. A benevolência e a abnegação eram inerentes a ele.

Em determinado momento, o destino de Valjean cruza-se com o da garotinha Cosette, a cotovia. A menina, de aparência digna de pena, vivia sob os mal-tratos dos Thenárdier. Constantemente espancada e forçada a desempenhar serviços braçais, a pobre menina sonhava em ter uma boneca de pano como a que as filhas do casal Thenárdier possuíam. Não passava de pura utopia. Cosette era espancada pelo simples fato de olhar as meninas brincando com a boneca.

Certa vez, em uma noite escura, Jean Valjean encontra Cosette na rua carregando um pesado balde com água. Ele então a ajuda levar o balde até a estalagem dos Thenárdier. Após muita insistência, Valjean consegue passar a noite no local.

A rica e famigerada poética narrativa usada por Victor Hugo, desperta no leitor uma sensação próxima a hipnose. É impossível parar de ler! Um dos ápices da história se dá quando Valjean presenteia a garota Cosette com a boneca mais cara e cobiçada existente na região. A maneira como a menina reagiu a ganhar sua primeira boneca é narrada de tal forma que dificilmente algum leitor ficaria indiferente.

O amor paternal aflora no coração de Valjean. A empatia por aquela frágil criatura o envolve profundamente. Eis que ele oferece dinheiro aos Thenárdier para ficar com a garota. A partir daí, uma série de aventuras acontecem. Perseguições, conflitos, amor, ódio, inveja, pilantragem, tudo isso é congregado em Os Miseráveis. Um livro que valoriza a capacidade humana de fazer o bem sem medir esforços, além de realçar aspectos como a cobiça e a ambição. Caberá ao leitor descobrir quem são os verdadeiros miseráveis.

Bons livros são aqueles que acrescentam algo em nossas vidas, o que é o caso de “Os Miseráveis”. Eu recomendo!