No fundo do poço. Assim estava ela. Seu pensamento atinha-se unicamente a um objetivo: dar fim ao legado de sua miséria. A desgraça corroia-lhe cada milímetro de seu corpo. Não tinha mais vontade de nada. Outrora, era bem sucedida e amada. No entanto, tais regalias converteram-se em mero abandono. Jogada às traças. Humilhada. Ferida. Haveria uma nova chance para consertar um equívoco do passado?
Como pudera o sucesso que demandou inúmeros anos para ser conquistado desabar em apenas um deslize?! Nada mais tinha sentido. Tudo estava consumado. No entanto, a perda de dinheiro e status não a afligia tanto quanto a perda daquele a quem depositava todo o propósito de seu destino. Ela se deu conta de que o amor nada mais é do que um simples jogo de conveniências. Afundada em pensamentos de descrença, o único destino favorável a ela foi livrar-se dela mesma, um verdadeiro encargo para a sociedade...
Em um ímpeto de coragem decidiu cavar a própria sepultura. Subiu encima da mesa... Enrolou uma corda no pescoço, amarrando a mesma no teto... Por um minuto, recordou-se dos velhos tempos de infância, único período de sua estúpida vida no qual se sentira feliz. Infelizmente, pensava ela, a incrível máquina do tempo era mera utopia; os momentos bons eram apenas arquivos mortos em sua memória. Estavam apagados em algum tempo bastante remoto. Pensou em desistir do ato e dar a volta por cima; mas... um ato de coragem e bravura compensaria toda a inutilidade de seu ser... Pulou. Não restava mais nada... Findou um ciclo de amargura. Apagam-se as luzes...
Washington, 1972. Cinco homens invadem o edifício Watergate. Para os jornais, o fato parecia apenas mais uma matéria a ser estampada nas páginas destinadas às ocorrências policiais. No entanto, os aparentes “ladrões” se distinguiam dos demais: usavam terno e gravata. Esta característica despertou a atenção da equipe do jornal The Washington Post. Os jornalistas Carl Bernstein e Robert Woodward foram designados, dentre toda a equipe, para realizar a cobertura do misterioso caso.
Com o passar do tempo, o quebra-cabeça foi sendo montado milimetricamente. Até que, por meio de uma apuração que serve como referência para a prática jornalística, concluíram que a invasão estava relacionada a um esquema de corrupção e espionagem que forjaria a ascensão presidencial de Richard Nixon ao segundo mandato.
O episódio serviu de base para a produção do filme “Todos os homens do presidente” (All the presidents men), conduzido por Alan Pakula em 1976. O longa-metragem acompanhou todo o processo de apuração de Bernstein e Woodward, interpretados respectivamente por Dustin Hoffman e Robert Redford. O filme sobreviveu ao tempo, convertendo-se em um clássico que vale como uma verdadeira aula de jornalismo investigativo.
A parceria entre os profissionais deve ser considerada como uma das causas da bem sucedida cobertura. No início, por exemplo, nota-se que Bernstein detinha mais experiência profissional em detrimento de Woodward. No entanto, isto não coloca em xeque e união de ambos. A experiência de um auxilia o outro, visto que o objetivo era único: fazer com que o produto final (a notícia) fosse divulgado da melhor forma.
O foco do filme foi demonstrar os processos da investigação jornalística. O caso era extremamente obscuro, o que exigia dos jornalistas muita cautela; qualquer deslize resultaria em equívocos e informações distorcidas. A invasão a Watergate envolvia importantes segmentos do poder norte-americano; qualquer fonte que tivesse conhecimento dos fatos estava em risco. Os profissionais souberam preservar seus entrevistados, atendendo aos preceitos éticos que incidem sobre o sigilo das fontes.
À medida que as informações eram apuradas, passavam pelo crivo do exigente editor. Inúmeros textos foram vetados ou reduzidos, visto que a empresa jornalística prezava pela veracidade e consistência das informações. Esta preocupação com a transparência resultou em matérias emblemáticas, capazes de moldar o pensamento da população americana acerca de seus governantes.
O longa-metragem comprova que o jornalismo tem a possibilidade de transformar a realidade, arquitetando o pensamento de uma população, sem manipulá-la. No caso Watergate, em momento algum o The Washington Post revelou pontos de vista. As informações apuradas apenas foram transmitidas. Coube a sociedade americana concluir o que se passava por detrás das paredes da Casablanca, tendo como pano de fundo as descobertas propagadas pelo jornal.
Confira trailer do filme:
(*) Resenha originalmente produzida como atividade avaliativa da disciplina Jornalismo Especializado, ministrada pela jornalista Ayne Salviano, no sétimo semestre do curso de comunicação Social com habilitação em Jornalismo.
Conturbados. Assim têm sido meus dias de uns tempos para cá. Faculdade na reta final, trabalho... Enfim, diversos afazeres têm ocupado meu tempo de modo a me impossibilitar de atualizar este espaço que me proporciona tanto prazer. É de conhecimento geral que a maior paixão de um futuro jornalista é a possibilidade de se expressar de forma independente, sem o crivo das limitações impostas pelos editores. O blog é uma das poucas alternativas para se expressar livremente e fazer valer a hipótese de que jornalistas são escritores / pensadores.
Hoje me arrisco a escrever sobre um tema que me gera muitas indagações e revolta: a hipocrisia da sociedade e as contradições das relações cotidianas (males dos quais também sou vítima). Não é segredo para ninguém que absolutamente todas as pessoas utilizam máscaras nas vinte e quatro horas do dia. Não há mais espaço para a autenticidade. A não ser no momento escatológico, a maior parte das pessoas engana-se a si mesmas impondo realidades completamente arquitetadas, a fim de se adaptarem as convenções sociais. A autenticidade pode ter um preço caro...
Imagine só a anarquia que o mundo se transformaria se todos resolvessem arrancar as máscaras... O senso comum que me perdoe, mas cabeças iriam literalmente rolar. Porém, somente a transparência limitaria o teor patriarcal das relações humanas e as hierarquias pautadas nos ideais de opressão.
Indivíduos completamente autênticos são rotulados como loucos e a consequência desta tal “insanidade” é a reclusão, visto que se acredita que eles podem causar sérios danos à sociedade. Tal demagogia não está completamente equivocada. Se os loucos resolvessem arrancar as máscaras de toda a sociedade, ninguém ficaria imune.
Infelizmente não se pode mudar uma realidade enraizada. As pessoas já nascem com a maquiagem que as adaptarão a sobreviver no grande palco da vida. Como verdadeiros palhaços que “pintam o rosto para viver”, necessitamos criar personagens que se adaptem às exigências impostas por alguém (um ser desconhecido que começou tudo isso). E eis que o mundo vai gradualmente se transformando em um imenso circo imundo...
sábado, 13 de março de 2010
O corre-corre de todos os dias vem me corroendo! Do trabalho para a faculdade, da faculdade para casa. E, em casa, TCC... Isto vem me impossibilitando de fazer o que mais gosto: usar este espaço para extravasar meus devaneios...
No entanto, mediante às hecatombes com as quais nos deparamos diariamente, a arte poética tem capacidade ímpar de abrandar nossos corações e nos remeter a um mundo belo, aquém da realidade... Hoje cmpartilho com vocês o poema "DESEJO", de autoria do francês Victor Hugo, um de meus escritores favoritos. Abaixo do texto, disponibilizo o belo clipe do cantor Frejat inspirado no poema. Em breve estarei de volta!!!
DESEJO
Desejo primeiro que você ame, e que amando, também seja amado E que se não for, seja breve em esquecer, e que esquecendo, não guarde mágoa Desejo , pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis , e que pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,desejo ainda que você tenha inimigos, Nem muitos, nem poucos , mas na medida exata,para que algumas vezes, Você se interpele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles ,haja pelo menos um que seja justo , para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,mas não insubstituível. E que nos maus momentos , quando não restar mais nada , Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,não com os que erram pouco,porque isso é fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância, Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem, não amadureça depressa demais, e que sendo maduro! Não insista em rejuvenescer E que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor. E é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso E o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a respeito deTudo, Que existem oprimidas injustiçadas e infelizes, e que estão à sua volta. Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça um João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, E acompanhe seu crescimento, Para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore. Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente E diga “isso é meu”, só para que fique bem claro quem é o dono de quem. Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você, Mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar... Desejo por fim que você sendo homem, tenha uma boa mulher, E que sendo mulher, tenha um bom homem.
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, E quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja AMOR para recomeçar, E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a te desejar.
No dia 7 de fevereiro, véspera de meu aniversário de 21 anos, recebi uma homenagem muito especial! A equipe de amigos do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) resolveu fazer um ofício divido para comemorar quatro momentos muito especiais: meu aniversário; aniversário de Fernando Escodeiro; Doutorado de Áurea Esteves e a formatura de Hugo Tizura. Ao final do emocionante momento celebrativo, resolveram nos presentear de uma forma bem peculiar: com poesia!
Nossa amiga Fernanada Guilabel recitou lindamente a crônica "Casas que emburrecem", do mestre Rubem Alves. Muita gente não conseguiu conter as lágrimas, inclusive eu! Nada melhor do que ser presenteado com poesia!!!
Compartilho com vocês o texto de Rubem Alves!
"O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém!"
Quem disse foi o Riobaldo, com o que concordo e também digo amém. Pois eu estava rastreando uns camundongos burros criados pelo prof. Tsien e umas teorias do prof. Reuben Feuerstein (pronuncia-se fóier-stáin) no meio de uma mataria de idéias quando topei com um menino de sandálias havaianas na porta do aeroporto de Guarapuava que fez minha rastreação parar. O que ele me pedia era mais importante, pedia que eu lhe comprasse um salgadinho para ajudar. Parei, comprei, comi, perdi o rumo, deixei de rastrear os camundongos do prof. Tsien e as teorias do prof. Feuerstein, entrei por uma "digressão", meu pensamento excursionou ao sabor das minhas emoções - mas agora estou de volta, o faro de cão rastreador afinado de novo.
Pois o prof. Tsien, da Universidade de Princeton, se deu ao trabalho de criar camundongos mais burros que os domésticos. Se você se espanta com o fato de um cientista gastar tempo e dinheiro para produzir camundongos burros, desejo chamar a sua atenção para o fato de que a burrice é muito útil, do ponto de vista político e social. Aldous Huxley afirma que a estabilidade social do "Admirável Mundo Novo" se devia aos mecanismos psico-pedagógicos cujo objetivo era emburrecer as pessoas. A educação se presta aos mais variados fins. Pessoas inteligentes, que vivem pensando e tendo idéias diferentes, são perigosas. Ao contrário, a ordem político-social é melhor servida por pessoas que pensam sempre os mesmos pensamentos, isso é, pessoas emburrecidas. Porque ser burro é precisamente isso, pensar os mesmos pensamentos - ainda que sejam pensamentos grandiosos. Prova disso são as sociedades das abelhas e das formigas, notáveis por sua estabilidade e capacidade de sobrevivência.
Os camundongos burros do prof. Tsien, confrontados com situações problemáticas, eram sempre derrotados pelos camundongos domésticos. Mas o objetivo da pesquisa era inteligente. O prof. Tsien queria testar uma teoria: a de que, se os camundongos burros fossem colocados em situações interessantes, estimulantes, desafiadoras, a sua inteligência inferior construiria mecanismos que os tornariam inteligentes. Em outras palavras: limitações genéticas da inteligência podem ser compensadas pelos desafios do meio ambiente. Assim, ele colocou os camundongos burros em gaiolas que mais se pareciam com parques de diversão, dezenas de coisas a serem feitas, dezenas de situações a serem exploradas, dezenas de objetos curiosos. Como mesmo os burros têm curiosidade e gostam de fuçar, os camundongos começaram a agir. Depois de um certo período de tempo, colocados em situações idênticas juntamente com os camundongos domésticos, os camundongos burros tinham deixado de ser burros. Não ficavam de recuperação.
Não conheço a obra do prof. Feuerstein. Suas teorias sobre a inteligência me foram contadas. Fiquei fascinado. Desejo que ele esteja certo. Pois o que ele pensa está de acordo com as conclusões de laboratório do prof. Tsien. Feuerstein tem interesse especial em pessoas que, por fatores genéticos (síndrome de Down, por exemplo) ou ambientais (ambientes pobres econômica e culturalmente) tiveram suas inteligências prejudicadas. Diante de testes o seu desempenho é inferior ao de crianças "normais". Sua hipótese, testada e confirmada, é que, se tais pessoas forem colocadas em ambientes interessantes, desafiadores e variados, a sua inteligência inferior sofrerá uma transformação para melhor. A inteligência se alimenta de desafios. Diante de desafios ela cresce e floresce. Sem desafios ela murcha e encolhe. As inteligências privilegiadas podem também ficar emburrecidas pela falta de excitação e desafios.
Isso me fez dar um pulo dos camundongos do prof. Tsien, as teorias do prof. Feuerstein, para as casas onde moramos. Nossas casas são um dos muitos ambientes em que vivemos. Cada ambiente é um estímulo para a inteligência. (É difícil ser inteligente num elevador. No elevador só há uma coisa a se fazer: apertar um botão...) . E pensei que há casas que emburrecem e há casas onde a inteligência pode florescer.
Não adianta ser planejada por arquiteto, rica, decorada por profissionais, cheia de objetos de arte. Não sei se decoração é arte que se aprende em escola. Se a decoração se aprende em escola, pergunto se existe, no currículo, uma matéria com o título: "Decoração de emburrecer - decoração para provocar a inteligência"... Essa pergunta não é ociosa. Casas que emburrecem tornam as pessoas chatas. Criam o tédio. Imagino que muitos conflitos conjugais e separações se devem ao fato de que a casa, finamente decorada, emburrece os moradores. Lá os objetos não podem ser tocados. Tudo tem de estar em ordem, um lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar. Orgulho da dona de casa, casa em ordem perfeita.
Acho que foi Jaspers que disse que ele não precisava viajar porque todas as coisas dignas de serem conhecidas estavam na sua casa. Jaspers viajava sem sair de casa. Mas há casas que são um tédio: lugar para dormir, tomar banho, comer, ver televisão. Se é isso que é a casa, então, depois de dormir, tomar banho, comer e ver televisão não há mais o que fazer na casa, e o remédio é sair de gaiola tão chata e ir para outros lugares onde coisas interessantes podem ser encontradas. Sugiro aos psicopedagogos que, ao lidarem com uma criança supostamente burrinha, investiguem a casa em que ela vive. O quarto mais fascinante do sobradão colonial do meu avô era o quarto do mistério, de entrada proibida, onde eram guardadas, numa desordem total, quinquilharias e inutilidades acumuladas durante um século. Ali a imaginação da gente corria solta. Já a sala de visitas, linda e decorada, era uma chatura. A criançada nunca ficava lá. Na sala de visitas a única coisa que me fascinava eram os vidros coloridos importados, lisos, através do qual a luz do sol se filtrava.
Na minha experiência, a inteligência começa nas mãos. As crianças não se satisfazem com o ver: elas querem pegar, virar, manipular, desmontar, montar. Um amante se satisfaria com o ato de ver o corpo da amada? Por que, então, a inteligência iria se satisfazer com o ato de ver as coisas? A função dos olhos é mostrar, para as mãos, o caminho das coisas a serem mexidas. Acho que uma casa deve estar cheia de objetos para serem mexidos. A casa, ela mesma, é para ser mexida. Razão por que eu prefiro as casas velhas. Tenho um amigo que comprou um lindo apartamento, novinho, e morre de tédio. Porque não há, no seu apartamento, nada para ser consertado. Eu sinto uma discreta felicidade quando alguma coisa quebra ou enguiça. Porque, então, eu posso brincar...
Os livros precisam estar ao alcance das mãos. Em todo lugar. Na sala, no banheiro, na cozinha, no quarto. Muito útil é uma pequena estante na frente da privada, com livros de leitura rápida. Livros de arte, por exemplo! É preciso que as crianças e jovens aprendam que livros são mundos pelos quais se fazem excursões deliciosas. Claro! Para isso é preciso que haja guias! Cuidado com os brinquedos: brinquedo é um objeto que desafia a nossa habilidade com as mãos ou com as idéias. Esses brinquedos de só apertar um botão para uma coisa acontecer são objetos emburrecedores - aperta um botão a boneca canta, aperta outro botão a boneca faz xixi, aperta um botão o carro corre. Não fazem pensar. No momento em que a menina resolver fazer uma cirurgia na boneca para ver como a mágica acontece - nesse momento ela está ficando inteligente. Quebra-cabeças: objetos maravilhosos que desenvolvem uma enorme variedade de funções lógicas e estéticas ao mesmo tempo. Armar quebra-cabeças à noite: uma excelente forma de terapia familiar e pedagogia: o pai ensinando ao filho os truques. Ferramentas: com elas as crianças desenvolvem habilidades manuais, aprendem física e experimentam o prazer de consertar ou fazer coisas. A quantidade de conhecimento de física mecânica que existe numa caixa de ferramentas é incalculável. A cozinha aberta a todos. A cozinha é um maravilhoso laboratório de química. Cozinhar educa a sensibilidade.
Você nunca havia pensado nisso, a relação entre a sua casa e a inteligência, a sua inteligência e a inteligência dos seus filhos. Sua casa pode ser emburrecedora. Ou pode ser um espaço fascinante onde os camundongos do prof. Tsien repentinamente ficam inteligentes...
O egocentrismo norteia as relações contemporâneas. A sociedade é estigmatizada a cada dia pela ânsia de “querer sempre mais”. Ao que parece, a sangria por status e holofotes se sobressai a qualquer sentimento benevolente. A bandeira ostentada com orgulho pelo individualismo sobreviveu a gerações e jamais esteve tão em evidência como agora. O grito de guerra, “cada um por si!”, vem progressivamente deixando rastros de injustiça, trazendo consigo sofrimento e desigualdade. Como no reino animal, o que predomina é a “Lei do mais Forte”.
Por mais irônico e contraditório que seja, o Brasil, teoricamente, é uma nação democrática. Como um verdadeiro conto de fadas repleto de elementos surreais e utópicos, nosso país é enxergado mundo afora como o verdadeiro Canaã, a terra prometida. Pensa-se por aí que esta nação é acolhedora, justa, não estratificada. Ledo engano. A realidade é outra.
As terras tupiniquins seguem os padrões que regem o mundo capitalista. Enquanto uma minoria goza de prerrogativas muitas vezes conquistadas por meios nem tão honestos, a maioria luta para sobreviver como pode. Daí provêm as explicações para elementos hipocritamente considerados injustificáveis como o aumento da criminalidade e o alastramento das favelas.
Tendo em vista esta opressora realidade, a Igreja Católica propõe para a Campanha da Fraternidade 2010 o tema: “Economia e Vida”. Com o lema: “Não se pode servir a Deus e ao Dinheiro”, o projeto ecumênico visa a suscitar o despertar da consciência. Não é a primeira vez que a Igreja se mobiliza mediante ao mundo caótico. Desde a década de 1960 a Campanha da Fraternidade tenta incessantemente germinar a semente da justiça, exterminando por meio de ações concretas as inúmeras ervas daninhas que se alastram pelo mundo de forma inexorável. Plausível iniciativa, visto que uma fé não engajada torna-se contraditória ao opor-se ao principal ensinamento cristão: “Amar ao próximo como a si mesmo”. O tema deste ano vem ao encontro da realidade mundial, que ressurge aos poucos após árduos episódios de crise financeira.
Os trabalhos da Campanha da Fraternidade costumeiramente ocorrem no período da Quaresma (considerado o ponto alto da liturgia católica) e se estendem no decorrer do ano. Sempre com temáticas de cunho metanoico, o projeto tem como objetivo fazer com que as pessoas tomem consciência de que o primeiro passo para uma almejada mudança deve partir delas mesmas. Transformar o mundo em tão pouco tempo seria uma ideia um tanto exorbitante e surreal. Esta não é a intenção do projeto. Muito pelo contrário.
A ideia que perpassa as campanhas é o método Ver, Julgar e Agir, o que leva as pessoas a enxergarem a realidade, estudar as causas das aflições que prejudicam o mundo a sua volta e, por último, criar métodos de ações concretas que possam embasar uma pequena transformação. É uma verdadeira corrente do bem. Ao passo que pequenos grupos de estudos vão sendo formados, mais pessoas se juntam e propõem ideias para a efetiva construção da justiça na realidade em que vivem; juntos, disponibilizam um pouco de si mesmos em prol do bem de todos.
A economia solidária defendida pela Campanha da Fraternidade é aquela baseada na distribuição justa dos bens e preza ,sobretudo, à transparência e à equidade. Entretanto, o que enxergamos atualmente está a anos-luz da proposta.
A atitude blasé de cruzar os braços e conformar-se com as injustiças é um grande desperdício. Na qualidade de seres pensantes, temos capacidade para muito mais. Engajar-se em projetos como a CF, que buscam proporcionar conhecimento e bem estar comunitário, pode ser o primeiro passo para a tão sonhada sociedade ideal pautada na qualidade de vida. Uma dimensão espiritual seja ou não religiosa pode nos ajudar a estabelecer metas e, consequentemente, despertar a sensação de que viemos ao mundo com uma missão a ser cumprida.
(*) Este texto, de minha autoria, foi publicado na edição de 23/02 do Espaço Universitário da Folha da Região.
Confira o Hino da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010:
Comparilho com vocês o criativo cordel criado por Antônio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,residente em Salvador.Concordo em gênero, número e grau!!! Esse lixo que polui a TV brasileira já está ultrapassando os limites da sanidade...
BIG BROTHER BRASIL
Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial E sentir tanta alegria É sinal de que você O mau-gosto aprecia Dá valor ao que é banal É preguiçoso mental E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo Um programa tão ‘fuleiro’ Produzido pela Globo Visando Ibope e dinheiro Que além de alienar Vai por certo atrofiar A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro Que está em formação E precisa evoluir Através da Educação Mas se torna um refém Iletrado, ‘zé-ninguém’ Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão Lá está toda a família Longe da realidade Onde a bobagem fervilha Não sabendo essa gente Desprovida e inocente Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial Chega de esculhambação Respeite o trabalhador Dessa sofrida Nação Deixe de chamar de heróis Essas girls e esses boys Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe, Querido Pedro Bial, São verdadeiros heróis E merecem nosso aval Pois tiveram que lutar Pra manter e te educar Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal Com seu discurso vazio. Pessoas inteligentes Se enchem de calafrio Porque quando você fala A sua palavra é bala A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil Carente de educação Precisa de gente grande Para dar boa lição Mas você na rede Globo Faz esse papel de bobo Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal Nosso povo brasileiro Que acorda de madrugada E trabalha o dia inteiro Dar muito duro, anda rouco Paga impostos, ganha pouco: Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade Neste momento atual Se preocupa com a crise Econômica e social Você precisa entender Que queremos aprender Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo Vem nos mostrar sem engano Que tudo que ali ocorre Parece um zoológico humano Onde impera a esperteza A malandragem, a baixeza: Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência Não são mais valorizadas. Os “heróis” protagonizam Um mundo de palhaçadas Sem critério e sem ética Em que vaidade e estética São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética Nem projeto educativo. Um mar de vulgaridade Já tornou-se imperativo. O que se vê realmente É um programa deprimente Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo “professor”, Pedro Bial O que vocês tão querendo É injetar o banal Deseducando o Brasil Nesse Big Brother vil De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço Mal exemplo à juventude Que precisa de esperança Educação e atitude Porém a mediocridade Unida à banalidade Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento De pessoas confinadas Num espaço luxuoso Curtindo todas baladas: Corpos “belos” na piscina A gastar adrenalina: Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo É de nos “emburrecer” Deixando o povo demente Refém do seu poder: Pois saiba que a exceção (Amantes da educação) Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial Um mercador da ilusão Junto a poderosa Globo Que conduz nossa Nação Eu lhe peço esse favor: Reflita no seu labor E escute seu coração.
E vocês caros irmãos Que estão nessa cegueira Não façam mais ligações Apoiando essa besteira. Não deem sua grana à Globo Isso é papel de bobo: Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim Desse Big Brother vil Que em nada contribui Para o povo varonil Ninguém vai sentir saudade: Quem lucra é a sociedade Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor Que nós somos os culpados Porque sai do nosso bolso Esses milhões desejados Que são ligações diárias Bastante desnecessárias Pra esses desocupados.
A loja do BBB Vendendo só porcaria Enganando muita gente Que logo se contagia Com tanta futilidade Um mar de vulgaridade Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade E apelo sexual. Não somos só futebol, baixaria e carnaval. Queremos Educação E também evolução No mundo espiritual.
Cadê a cidadania Dos nossos educadores Dos alunos, dos políticos Poetas, trabalhadores? Seremos sempre enganados e vamos ficar calados diante de enganadores?
Barreto termina assim Alertando ao Bial: Reveja logo esse equívoco Reaja à força do mal… Eleve o seu coração Tomando uma decisão Ou então: siga, animal…