domingo, 7 de junho de 2009

Cativeiro Global

Viver em sociedade é um grande desafio. Para ser considerado “normal” aos olhos dos outros, é necessário desempenhar papéis. Por viver em um conjunto de relações, o homem é obrigado a atuar, tornando-se um verdadeiro ator social, vestindo, muitas vezes, a máscara da hipocrisia. Esta máscara rouba a identidade da pessoa, fazendo-a esquecer o que realmente é.

Nosso cotidiano é conturbado. Em um único dia estamos em vários lugares: em casa, no trabalho, na igreja, na escola, etc. Isso nos leva a encarnar diferentes personagens, que nos adaptam às situações vivenciadas. Com o objetivo de atender às expectativas dos que estão ao nosso redor, esquecemos de nossa subjetividade. Aniquilamos nosso próprio ego à medida que passamos a ser o que não somos. Ser pessoa não é nada fácil.

Se passarmos a contrariar a aceitação social, seremos taxados como loucos. Na conturbada sociedade contemporânea, indivíduos realmente autênticos são considerados doentes mentais. Isto porque não vestem máscaras sociais que inibem sua real condição.

A subjetividade humana é sequestrada a cada fração de segundo. O mundo tornou-se um imenso cativeiro. O sistema vigente é o algoz que prende milhares de seres humanos nas celas da alma. Libertar-se de si mesmo é tarefa árdua. Liberdade... A grande utopia social.

Como podemos ser livres se estamos condicionados a ser o que não somos? Que liberdade é essa que nos obriga a enxergar a vida como uma peça de teatro na qual somos os protagonistas? Sim, somos os atores principais desse grande teatro, porém, na condição de personagens, jamais desfrutaremos de uma liberdade plena e, por consequência, permaneceremos em cativeiros sem saída.

Nem mesmo a percepção social provém de nossos conhecimentos acerca do mundo. Nossa visão condiciona-se a elementos tais como o behaviorismo, que nos induzem a enxergar as coisas conforme comportamentos pré-estabelecidos. Na condição de atores, comportamo-nos de acordo com a exigência da situação.

Indivíduos que se desvirtuam das regras sociais são execrados e excluídos do meio. Considerados loucos ou marginais, sofrem uma das maiores repressões: o isolamento. Mais uma vez comprova-se a escassez de liberdade que caracteriza o mundo contemporâneo. Somos protagonistas da história, e devemos agir como tais. Portanto, devemos passar a construir o enredo de nossa peça, somente assim a liberdade será contemplada.

3 comentários:

Rafael Lopes disse...

Realmente, não adianta esconder, todos, sem excessões, usamos máscaras.

Bom texto.
psicologia total

abraço

Mauricio Devigo disse...

Sábias palavras, meu amigo, realmente vivemos numa época em que as relações sociais estão condicionadas aos papéis, de ser professor, de ser gerente, de ser médico...enfim, e muitas vezes nos esquecemos que estamos lidando com pessoas, que assim como nós, possuem sentimentos, fragilidades, esquecemos da nossa essência...mas enfim, acredito, como idealista, que vale a pena se doar, que vale a pena ser o que se é, pois também precisamos dar a oportunidade para o outro ser com a gente...enfim, abraços, fique com Deus !

Angélica Neri disse...

Como sempre, texto muito bom! Além de escrever bem, você também demonstra conhecer o assunto.

Você é o cara! :D

Abraço, amigão!