quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O tempo e suas loucuras. De como escrevo versos no livro da vida




Para meu desespero, percebi que o tempo passa rápido demais. O pior de tudo é que não podemos contê-lo. À medida que age, não há meios de segurá-lo. Pará-lo é impossível. Torná-lo mais vagaroso então, é utopia. Conforme passa, vem a inevitável ação sobre nós, homens. O transcorrer do tempo nos força a mudar de fase, o que inevitavelmente gera apreensão, angústia, medo. No entanto, por sermos condicionados a progredir, precisamos nos adaptar às agruras do tempo e aceitá-las. Cabe-nos, portanto, escrever primorosos versos no livro da vida.

Confesso que toda essa loucura me aflige. Olho para as pessoas a meu redor e vejo os estigmas produzidos pelo tempo. Mas, o mais perturbador: tenho espelhos em casa. Espelhos são como mediadores entre nós e a realidade. Ao olharmos, constatamos que o tempo também incide sobre nós. Seres humanos que somos, sofremos. Vivo, logo sofro. Porém, às vezes é tão fácil conter sofrimentos... Mas gostamos de sofrer; é inerente ao homem transformar goteiras em tempestades.

Chego ao final de mais uma fase. O medo de não sei o que é inevitável. Tenho medo, precisamente pela existência da expressão “não sei o que”. Nunca gostei de incertezas e muito menos de mudanças bruscas. Mas uma coisa eu sei: fiz tudo direitinho. No decorrer destes quatro anos de faculdade de jornalismo, passei por intensos processos de transformação (o tempo proporcionou alguns deles).

Dentre minhas várias manias, tenho uma em especial: demoro a pegar no sono. Enquanto ele não vem, fico matutando, matutando e matutando. Matuto sobre minha vida, sobre a vida dos outros, sobre a vida em si. Os minutos antes de dormir são aqueles nos quais posso arrancar as máscaras e ser eu mesmo. É meu momento. Um dos únicos em que tenho o privilégio de encontrar a mim mesmo.

Voltando a história da mania (me empolgo quando escrevo), a principal dela consiste no fato de fazer balanços gerais sobre minha existência. De uns tempos para cá isso tem se tornado frequente, talvez seja pelo momento de transição, enfim. Quem sou eu, o que fiz até o momento, a que vim, etc, etc, etc, são pensamentos envoltos nestas filosofias precedentes do sono. É meu momento de olhar para trás e ver que o tempo passou. É a hora em que vejo de longe o garoto assustado que outrora pisou pela primeira vez em um mundo diferente do que conhecia. É a vez de pensar sobre as pessoas que passaram pela vida deste garoto e depositaram algo de bom. Enfim, é o momento propício para agradecer a Deus e ao universo por ter vivido e chegado até aqui.

Aconselho a todos que tirem um tempinho pra pensar sobre a vida. Tais pensamentos cessam, pelo menos um pouco, a aflição gerada pela passagem do tempo. Inevitável que é, garante-nos a possibilidade de aproveitá-la ao máximo, plantando sementes que se tornarão suculentos frutos. Colhê-los é opção nossa; deixá-los apodrecer, também. Penso que tenho colhido os meus... Afinal, sempre fui um idealista... Talvez seja esta minha principal fraqueza: acreditar demais. Ou talvez seja qualidade, sei lá... Só sei que penso, logo escrevo e logo sofro...

Continuarei assim. Estou virando as páginas do livro de minha história consciente de que o autor principal sou eu mesmo. Novas conquistas estão por vir! Sejam bem vidas! Chegar até aqui foi uma grande vitória. Aprendi muito.

3 comentários:

Zemarcos disse...

::: "Estou virando as páginas do livro de minha história consciente de que o autor principal sou eu mesmo". Lindo e típico de um jornalista criativo como vc!

Diuân Feltrin disse...

Valeu Zé Marcos!!!

Angélica Neri disse...

Texto maravilhoso! Eu não poderia esperar outra coisa de você...

Parabéns, meu amigo! E sucesso nesta nova etapa!