domingo, 22 de julho de 2012

Sobre perdas, sentimentos, confusão de ideias e... Subjetividade



De tão tênue que é, a linha que divide a razão da emoção chega a ser imperceptível. Provas de fogo são inevitáveis na vida, porém, ao sermos confrontados com elas, tornamo-nos meros covardes. Mediante cargas emocionais, o homo sapiens se reduz a homo demens.

Deveria ser ao contrário. Seres racionais que somos, adequado seria se agíssemos com equilíbrio, sensatez, coerência e inteligência. Todavia, persistimos no erro. O senso comum não está errado ao proferir que somos vítimas de nossas escolhas. Vou mais além e afirmo que o erro é pressuposto da vida. Por meio dele, nos tornamos mais fortes... Duros, talvez.

É fácil anular a própria felicidade simplesmente para satisfazer outrem? É digno viver mascarado ou se esconder atrás de um grupo social vestindo as máscara da chacota e da hipocrisia? É ético usar determinadas situações como válvulas de escape? Pobre homo demens...

A insegurança e o medo da felicidade nos trava. Em meio ao turbilhão de acontecimentos que envolvem a vida de um ser humano, existe espaço para sentimentos verdadeiros?

A vida é movimento. Sete bilhões de indivíduos respiram o mesmo ar! Sete bilhões de indivíduos compartilham das mesmas experiências de conquistas e derrotas. Mas, apesar da quantidade, a qualidade dos sentimentos é única, particular. Sentir verdadeiramente requer doses de maturidade e ousadia, virtudes cada vez mais escassas.

Sentimentos acabam. Ou melhor, transformam-se. Amor transforma-se facilmente em ódio; confiança em desconfiança; alegria em tristeza; sonhos em ilusão... Sentimentos provêm da subjetividade que, a meu ver, de subjetiva não tem nada, visto que pode ser usurpada a qualquer momento, num simples estalar de dedos... Basta que o homo demens dê abertura para isso...

Decepções com fatos de vida geram desesperança e ceticismo. Isso é fraqueza? Não sei... O que sei é que não existe terapia no mundo capaz de devolver certos bens outrora roubados... Bens interiores... A essência... Algo que não volta... Um simples espaço de tempo, simples palavras, pequenas atitudes podem destruir ou transformar a essência humana...

Somos fracos... Somos demens... Erramos... Insistimos no erro... Voltamos a viver... Sofremos...

Um comentário:

soujeffebarbosa disse...

Seres humanos desequilibrados deveriam ser exceções, mas parece que a exceção é o seu oposto. Gente que sabe ser gente é artefato de luxo nas ruas, nas famílias, nas amizades. Quem encontra um exemplar deve cuidar com muito carinho, atenção, mas sem sufocar: coloque pois equilíbrio, ou pelo menos tente. Tentar é humano, ter esperança também. Perde-la é angustiante. Que a salvação do homo demens esteja na esperança de que errar é ensinamento. E que a maturidade um dia venha... mesmo depois de sofrer, que isso seja então o "voltar a viver"!

Obrigado pela reflexão que em mim provocou.