terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2010




O egocentrismo norteia as relações contemporâneas. A sociedade é estigmatizada a cada dia pela ânsia de “querer sempre mais”. Ao que parece, a sangria por status e holofotes se sobressai a qualquer sentimento benevolente. A bandeira ostentada com orgulho pelo individualismo sobreviveu a gerações e jamais esteve tão em evidência como agora. O grito de guerra, “cada um por si!”, vem progressivamente deixando rastros de injustiça, trazendo consigo sofrimento e desigualdade. Como no reino animal, o que predomina é a “Lei do mais Forte”.

Por mais irônico e contraditório que seja, o Brasil, teoricamente, é uma nação democrática. Como um verdadeiro conto de fadas repleto de elementos surreais e utópicos, nosso país é enxergado mundo afora como o verdadeiro Canaã, a terra prometida. Pensa-se por aí que esta nação é acolhedora, justa, não estratificada. Ledo engano. A realidade é outra.

As terras tupiniquins seguem os padrões que regem o mundo capitalista. Enquanto uma minoria goza de prerrogativas muitas vezes conquistadas por meios nem tão honestos, a maioria luta para sobreviver como pode. Daí provêm as explicações para elementos hipocritamente considerados injustificáveis como o aumento da criminalidade e o alastramento das favelas.

Tendo em vista esta opressora realidade, a Igreja Católica propõe para a Campanha da Fraternidade 2010 o tema: “Economia e Vida”. Com o lema: “Não se pode servir a Deus e ao Dinheiro”, o projeto ecumênico visa a suscitar o despertar da consciência. Não é a primeira vez que a Igreja se mobiliza mediante ao mundo caótico. Desde a década de 1960 a Campanha da Fraternidade tenta incessantemente germinar a semente da justiça, exterminando por meio de ações concretas as inúmeras ervas daninhas que se alastram pelo mundo de forma inexorável. Plausível iniciativa, visto que uma fé não engajada torna-se contraditória ao opor-se ao principal ensinamento cristão: “Amar ao próximo como a si mesmo”. O tema deste ano vem ao encontro da realidade mundial, que ressurge aos poucos após árduos episódios de crise financeira.

Os trabalhos da Campanha da Fraternidade costumeiramente ocorrem no período da Quaresma (considerado o ponto alto da liturgia católica) e se estendem no decorrer do ano. Sempre com temáticas de cunho metanoico, o projeto tem como objetivo fazer com que as pessoas tomem consciência de que o primeiro passo para uma almejada mudança deve partir delas mesmas. Transformar o mundo em tão pouco tempo seria uma ideia um tanto exorbitante e surreal. Esta não é a intenção do projeto. Muito pelo contrário.

A ideia que perpassa as campanhas é o método Ver, Julgar e Agir, o que leva as pessoas a enxergarem a realidade, estudar as causas das aflições que prejudicam o mundo a sua volta e, por último, criar métodos de ações concretas que possam embasar uma pequena transformação. É uma verdadeira corrente do bem. Ao passo que pequenos grupos de estudos vão sendo formados, mais pessoas se juntam e propõem ideias para a efetiva construção da justiça na realidade em que vivem; juntos, disponibilizam um pouco de si mesmos em prol do bem de todos.

A economia solidária defendida pela Campanha da Fraternidade é aquela baseada na distribuição justa dos bens e preza ,sobretudo, à transparência e à equidade. Entretanto, o que enxergamos atualmente está a anos-luz da proposta.

A atitude blasé de cruzar os braços e conformar-se com as injustiças é um grande desperdício. Na qualidade de seres pensantes, temos capacidade para muito mais. Engajar-se em projetos como a CF, que buscam proporcionar conhecimento e bem estar comunitário, pode ser o primeiro passo para a tão sonhada sociedade ideal pautada na qualidade de vida. Uma dimensão espiritual seja ou não religiosa pode nos ajudar a estabelecer metas e, consequentemente, despertar a sensação de que viemos ao mundo com uma missão a ser cumprida.


(*) Este texto, de minha autoria, foi publicado na edição de 23/02 do Espaço Universitário da Folha da Região.


Confira o Hino da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010:


2 comentários:

Lucas Matheus de Carvalho disse...

E é exatamente pensando na missão que nos foi confiada, que devemos unir nossas forças para a construção de uma sociedade mais justa. A Igreja Católica, por meio desta Campanha Ecumênica, quer justamente reunir todos os cristãos e pessoas de boa vontade para debater questões de interesse comum. Parabéns pela abordagem, Diuân, e por sua demonstração de fé, trabalhando sempre na obra do Senhor.

Rafael Lopes disse...

Bom tema deste ano da Campanha de Fraternidade.

Bom seria se todos realmente se empenhassem ao máximo para esta união.

abraço