quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dançando no Escuro


A Vida tal como um Trágico Musical


O polêmico diretor Lars Von Trier sempre aspirou por obras fortes e perturbadoras. Seu trabalho de cunho popularesco intitulado “Dogville”, já dava conta de tal realidade. O filme protagonizado pela, até então, desacreditada atriz Nicole Kidmam, foi uma cruel crítica ao tão defasado “american way of life”. O fato de a citada obra ter me impressionado, levou-me a procurar um famoso filme do diretor chamado “Dançando no Escuro” (Dancer in the Dark, 2000).

O primeiro fator a ser constato é a escolha da excêntrica cantora islandesa Björk para o papel principal. Confesso que a princípio, estava cético com relação ao trabalho dela, mas no decorrer do filme, todos os meus estereótipos foram por água abaixo. Se fosse interpretado por outra atriz, o papel da sonhadora Selma não teria a mesma força.

Vamos ao enredo: o filme se passa em 1964. Selma é imigrante do leste europeu que se muda para os Estados Unidos acompanhada de seu filho, em busca de uma vida digna. No entanto, Selma é portadora de uma doença hereditária que a deixará cega em pouco tempo. Mesmo com esta limitação, a moça trabalha em período integral em uma fábrica com o objetivo de juntar dinheiro para pagar a cirurgia do filho, que sofre do mesmo mal. Cercada de sofrimentos exorbitantes, Selma enxerga a vida como se fosse um grande filme musical, que sempre tem um final feliz. Devaneios se tornam sua válvula de escapa mediante momentos de angústia.

A versatilidade de Björk (que afirma ter sofrido muito nas garras de Von Trier) é explorada ao máximo. O filme intercala o eixo narrativo com números musicais interpretados pela personagem central, que se aliena do que está vivendo e brilha em musicais imaginários dignos da broadway.

Como de praxe nas películas do diretor, a crítica ao modelo norte-americano de governar é evidente. O fato de Selma ter ido ao país em busca de soluções para seu problema, desencadeia um final trágico que causa angústia no espectador. Trier é impiedoso com sua personagem central, que talvez possa ser um reflexo da maioria dos americanos.

Björk está extraordinariamente perfeita como Selma. Sua inexperiência como atriz desencadeia uma peculiar espontaneidade. Além do mais, sua expressão inocente somada a voz de menina, contribuem com o teor deprimente do filme, algo sem precedentes no cinema hollywoodiano.

Confira abaixo o trailer oficial do filme e a performance da excêntrica Björk entoando Cocoon ao vivo:




8 comentários:

Fabrícia Lopes disse...

Eu jah assisti! Mto bom! Fiquei revoltada com os americanos na época.

Rafael Lopes disse...

Só pela forma abordada em seu texto, fiquei com vontade em assistir ao filme.

Só preciso de tempo. Ai Jesus, rss

abraço

Diuân Feltrin disse...

Recomendo viu Rafa! É perfeito, instigante e belo!

Angel disse...

Pois é né... o mundo é feito de fatos mesmo
Mas é uma pena que tenhamos que conviver com fatos nem sempre tão agradáveis
bueno obrigado pelo comentário!
abraços e ótimo fim de semana pra ti

Blog do Cláudio Henrique disse...

Cara, se eu quiser saber mais da Sétima Arte é so vir aqui, heheheh. Abraços.

Eduardo Martinez disse...

Só pra constar, a música tema do filme (aquela da cena no trilho do trem)I've Seen It All, é cantada pela Björk junto com o Thom Yorke do Radiohead, embora no filme pareça que o ator em cena está cantando. Filme fodaço mesmo, claustrofóbico. A Björk chegou a ganhar o prêmio de melhor atriz em Cannes por essa atuação.

Mescla de culturas disse...

to com outro filme dele aqui
ANTICRISTO
um ótimo diretor, um dos mais ousados e perturbador !

um abraço

Tiago Junqueira disse...

Esse filme é extremamente angustiante, eu já assisti 10x e todas as vezes eu choro de soluçar, Lars Von Trier é magnífico, eu remonedo todos dele! "os idiotas" é perfeito, uma crítica fudida! Já me frustrei com o mais recente "Anticristo", é um filme sem o peso dos outros e não mexe com as pessoas...